O técnico Fernando Diniz foi apresentado pelo Corinthians nesta terça-feira, um dia após ser anunciado como substituto de Dorival Júnior, disse que pode se adaptar ao elenco corintiano e defendeu que é preciso voltar a vencer para aliviar o clima pesado que tem levado torcedores organizados a intimidar os jogadores no CT Joaquim Grava.
— É super normal um time que tem o tamanho da torcida do Corinthians e a força que tem o torcedor organizado. É aquele torcedor que vai no estádio e às vezes ganha o jogo com sua presença. Os jogadores precisam apreender a jogar no Corinthians. E todo mundo. Eu aprender a ser técnico do Corinthians cada vez mais.
— Minha presença aqui é para ajudar os jogadores a saberem a lidar com isso. Tirar o que é positivo e trazer vitórias. O que acalma isso é ganhar jogo. Temos que fazer o nossos melhor para o torcedor sorrir o quanto antes — declarou Diniz em entrevista coletiva.
Pra quem não sabe o Wagner é uma cria do Corinthians, aqui da Penha. Trabalhou aqui de 85 a 96, foi campeão daquela Copa do Brasil. Tem uma história grande e está voltando para casa. Está comigo desde o início da carreira. O Léo Porto já trabalhou com Dorival e já pensei algumas vezes em trazer para trabalhar comigo, ficou cinco anos no Fortaleza. O Lucas é um rapaz do Vasco, é a segunda vez que trabalhei com ele, um talento muito grande da parte da análise e captar minhas ideias. E o Luis Fernando é um fisiologista que tem uma formação diferente. Um médico formado em cardiologia e fisiologia para acelerar os processos. Quero aumentar o volume de treino e intensidade e manter o jogador com saúde.
- Eu sei a importância que tem um Dérbi, os jogadores também sabem. Mas temos primeiro a estreia na Libertadores.
- É a minha maior conquista como treinador. Quando cheguei no Fluminense em 2022 estava na zona de rebaixamento. Ai terminou em terceiro no Brasileiro, garantiu a vaga e fizemos uma campanha muito importante. Ganhamos bem de Boca e River. Ninguém acreditava. É um sonho possível. Temos que sonhar e ir atrás disso. Todo mundo aqui quer. Temos que viver esse sonho todos os dias.
- Não temos que escolher jogo. O Brasileiro todo jogo é uma final, tem objetivos. A final é todo jogo. Temos que jogar como as partidas merecem ser jogadas. Vivo o futebol de uma maneira intensa. Temos que encarar cada jogo, cada treinamento como uma final.
- Nenhum time está pronto para ganhar títulos. Temos que trabalhar e ir melhorando o time. Os campeonatos estão no início. É priorizar o próximo jogo. O Campeonato Brasileiro não pode deixar desgarrar. Temos que priorizar aquilo que temos para frente. A Libertadores é o sonho de todo time. Vamos procurar a fazer o nosso melhor.
- Em todos os times que passei joguei mais com bola longa do que jogo curto. Em relação ao Raniele, é uma possibilidade dele jogar de zagueiro, pode ser que aconteça se for melhor para o Corinthians. Enquanto a parte ofensiva, nem tudo é tática. Há dois meses teve a conquista sobre o Flamengo. Tem muitos fatores para acharmos solução. Espero ajudar os jogadores a tomar menos gols e conseguir vencer.
- Sobre o Alex eu quero ver com calma. Fiquei sabendo há pouco que ele estava treinando separado. Quero ver com calma. É um jogador que eu gosto e conheço há bastante tempo. Em relação ao Hugo, eu trabalhei com o Fábio que não jogava absolutamente nada com os pés e evoluiu. Ele tinha 40 anos. O Hugo tem um pé melhor do que as pessoas acham, o jogo fica fácil se o goleiro joga com os pés. Temos que deixar ele confiante para tomar a melhor decisão. Em muitos momentos nesse trabalho do Vasco teve muita ligação direta. Mas o Hugo vai melhorar essa questão com os pés.
- Jogar na Arena é ruim para todo adversário. Temos que prevalecer o mando. Não gosto de comparar elenco, mas estou muito contente com o elenco que temos. Estou muito confiante que vamos conseguir subir o nível de todo mundo.
- Vai depender. Vão ser utilizados de todas as formas possíveis. São dois destaques do time. É muito difícil se firmar no Corinthians, e eles conseguiram. São jogadores que podem chegar na seleção. Eles tem potencial para isso.
- É um jogador extremamente talentoso, teve momentos de brilhantismo aqui. Quero ajudar ele a recuperar isso. No treinamento de hoje foi um dos destaques.
- Sou muito mais que isso, não me resumo a isso. Tenho uma relação com os jogadores de vínculos cada vez mais profundos. Tenho alegria de ser o Diniz daquele jeito. É um Diniz que consegue ajudar mais os jogadores. Foi assim que consegui ajudar o Sara, Rayan, Gabriel Magalhães... Óbvio que em alguns momentos você passa do tom e precisa se corrigir. Mas aquilo tem um fundamento positivo de ajudar o jogador. Para ele conseguir fazer o seu melhor. Quase sempre que estou cobrando é por falta de vontade, deixar o time na mão. Tem uma causa justa. Minha vida é uma vida de doação para o jogador. Gosto de mudar a vida de jogar no futebol, que esse impacto cause uma mudança eficiente e de conexão com a torcida. Muito mais ajuda do que atrapalha. No fundo, tem uma coisa que os benefícios daquilo são positivos. A pessoa as vezes acha que estourei com o jogador, ai você vai perguntar para o jogador que mais estourei... Um dos mais cobrados no Vasco foi o Rayan. Quando perguntaram pra ele, disse que eu era um pai pra ele. É só ir atrás dos jogadores que trabalharam comigo sobre o que acham de mim. Os exageros temos que aprender cada vez mais e ter controle. Mas aquilo tem um fundamento que ele é muito.
- Tinha pensado em não trabalhar até a Páscoa pelo menos. O Paz me mandou mensagem umas 23h45, mas eu não vi, estava vendo filme com minha esposa. Eu vi a hora que terminou o filme, era 1h30. Nossa conversa começou a partir daí, conversamos por uns 40 minutos. Foi um desfecho muito rápido.
- Acho que podem atuar juntos, mas isso não quer dizer que vão jogar juntos. Tem que saber como se adaptam juntos, jogaram assim em alguns momentos lá para trás. É uma possibilidade. Acho que se conseguirem jogar juntos acho que tem um ganho técnico importante para o Corinthians.
- Espero que seja a minha melhor versão. Só como treinador são 17 anos que percorri para chegar aqui. Me sinto preparado. Acredito muito no elenco. Temos jogadores de idades e qualidades diferentes. Todos podem ter um salto qualitativo nesse período.
- Vamos trabalhar, temos que evoluir em relação a isso. É um número exagerado, mas temos que melhorar o número de chances cedidas. Nesse começo de ano no Vasco, esse número de chutes do adversário diminuiu muito. Tem coisas que fogem do controle. Vou procurar equilibrar defensivamente o time.
- Temos qu aproveitar bons trabalhos. Aqui com o Ramón Díaz e com o Dorival. Temos que aproveitar. Aos poucos, taticamente, ir colocando as coisas que são possíveis. Estou procurando informação com muita gente do clube. Escolher a melhor estratégia no plano tático, mas minha estratégia inicial é ouvir e perceber o que dá para analisar nesses treinos e colocar o melhor time, com a melhor estratégia, para vencer os jogos. É trabalho, observação e procurar acertar.
- Temos que focar naquilo que a gente controla. Não temos controle nesse ambiente externo político. Temos jogadores experientes. É um
time que tem três conquistas do ano passado pra cá, é um time que tem o sabor das conquistas. Temos que focar nisso e naquilo que temos o mínimo de controle.Trabalhar com jovens como André e Breno Bidon
- É um trabalho que realizo durante toda minha carreira, essa aproximação com os jovens. O André e o Bidon já são realidades, mas garoto sempre precisa que a gente fique perto para extrair o melhor deles. Eles tiveram um momento de grande euforia, com dois títulos, e agora um momento de maior cobrança. Nesse momento eles vão se formando como grandes jogadores. Espero contribuir para eles. E os outros também. Tenho um olhar atento aos jogadores da base. Todos vão ser olhados por mim, tenho boas referências. O Kayke jogou contra o Vasco ano passado, outros jogadores mais jovens também. Estarei sempre atento.
- São públicas as minhas declarações enquanto não trabalhamos juntos. Acho que o trabalho dele no Fortaleza é pouco exaltado. É muito mais difícil levar o Fortaleza a Libertadores do que Flamengo ou Palmeiras. É um trabalho muito diferente, que projetou muita gente. Foi um trabalho com um profissionalismo exemplar. Tivemos um namoro aí de uns cinco anos para a gente se encontrar aqui. Acho que foi no momento certo para o Marcelo e para mim. Não conhecia o presidente Osmar, o primeiro impacto foi muito positivo. O futebol precisa de mais gente com esse espírito. A impressão foi a melhor possível. Temos tudo para fazer um trabalho coletivo que leve o Corinthiansa sonhar com coisas grandes.
- Me sinto muito bem acolhido, motivado e feliz de estar aqui. Vejo muita gente empolgada. Moro na Zona Leste, você sabe o tanto de corintiano que tem aqui. Esse torcedor importa muito, o torcedor do estádio... Se a gente fizer uma enquete aqui, quase todo mundo no futebol achou que isso fosse acontecer, que eu tenho uma combinação com o Corinthians. Eu também acho que combino com isso aqui, pela minha maneira inquieta, pela coragem de fazer as coisas... Tem tudo para dar certo. Se você lembrar o Tite era muito rejeitado. Lembra do jogo do Tolima? Aqui a gente trabalha internamente para fazer o melhor e, se possível, voltar a levantar taça.
- A principal característica dos times que eu dirijo é ter muita vontade, um time muito solidário e coragem. Isso não pode faltar. O resto a gente vai aos poucos. As pessoas acham que a parte tática tem uma prevalência para mim... Nunca vai ter. Não existe domínio tático que consiga superar a falta de ânimo, vontade... Os jogadores precisam entender. Esse é um clube que pulsa essas coisas, pulsa raça, fome e coragem. Isso é o mais importante. Esse time estava ganhando a Supercopa há dois meses e em dois meses tudo mudou. Ninguém desaprendeu a jogar. Precisamos resgatar o potencial do time rapidamente.
- Todo dia é dia de disputar título. Isso faz parte de mim, sobre o que eu penso de futebol e vida. Não ganhamos título no dia da final, ganhamos todos os dias. Isso começou hoje.
Fonte/Créditos: Globo Esporte
Créditos (Imagem de capa): Globo Esporte
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