Quem olha apenas para o placar imagina que a vitória do Flamengo por 2 a 1 sobre o Bragantino, neste domingo, foi apertada. Longe disso. O triunfo no Maracanã pode ser visto pelo copo meio cheio ou vazio. Mais uma vez, o time rubro-negro foi muito superior ao adversário e criou o suficiente para uma goleada. Mais uma vez, também, desperdiçou chances claras e passou por uma pressão desnecessária nos minutos finais.
Os números falam por si. O Flamengo finalizou 11 vezes, sendo sete no gol. Obrigou Tiago Volpi, e depois Cleiton, a fazerem grandes defesas. Também acertou a trave e desperdiçou outras oportunidades que não entram nas estatísticas. Em determinado momento, os donos da casa chegaram a 70% de posse de bola. O que mostra a superioridade de um time que é merecidamente líder do Brasileirão, agora com três pontos de distância sobre o Palmeiras. Mostra, também, a dificuldade em matar jogos.
O acerto tático de Jardim
O monólogo do Flamengo existiu porque o Bragantino demorou a entender um acerto tático: Jardim empurrou cinco jogadores (Carrascal, Arrascaeta, Pedro, Plata e Varela) na última linha de ataque, que ficavam contra quatro defensores. Jorginho e Saúl, ambos de bom passe, conseguiam encontrar o jogador em superioridade numérica a todo momento. Por isso, era possível atacar em profusão e aproveitar os espaços.
Dessa superioridade nasceu o gol do Flamengo. Carrascal achou bom passe, e Varela se infiltrou como um elemento surpresa dentro da área para empurrar para as redes. Houve um momento em que a equipe rubro-negra concentrou jogadas pelo lado esquerdo por levar muita vantagem no setor — e nem mesmo a saída de Ayrton Lucas, lesionado, mudou isso. Alex Sandro fugiu de suas características e conseguiu atacar o corredor.
Em vários momentos, Plata se aproximou de Pedro e atuou como um segundo atacante. Varela aparecia na área para aproveitar os espaços. Enquanto essa superioridade numérica na última linha existiu, o Flamengoempilhou chances. Carrascal teve duas boas oportunidades, mas parou em Tiago Volpi. Mais uma vez, o placar não refletiu a superioridade rubro-negra.
O domínio do Flamengo também foi físico. O time de Jardim impôs uma intensidade muito forte e sobrecarregou a saída de bola do Bragantino. Fabinho, primeiro volante da equipe paulista, perder três disputas na intermediária que geraram contra-ataques. Era um sinal claro. O jogo só passou a ficar mais equilibrado quando Vágner Mancini percebeu essa vantagem numérica e transformou o volante em terceiro zagueiro para igualar o setor.
Também é preciso destacar a boa atuação da dupla formada por Saúl e Jorginho, em outra inversão de funções. O brasileiro atuou como primeiro volante, enquanto o espanhol ficou responsável por avançar. Com o jogo equilibrado nos principais setores, o Fla levou a melhor nos duelos individuais e continuou superior ao adversário. Em outra de suas armas fortes, o time ampliou o placar. A bola parada foi decisiva para que Pedro encerrasse a seca de gols. Jorginho participou novamente da jogada, desviando a cobrança de escanteio.
Com o 2 a 0 no placar, o Bragantino descontou no fim, em um lance no qual Bruno Henrique teve a infelicidade de marcar contra. No placar, ficará registrada a diferença de apenas um gol. Os paulistas descontaram em um lapso, em uma partida na qual foi dominado durante a maior parte do tempo.
Ao apito final, o torcedor pode escolher se prefere ver o copo meio cheio ou meio vazio. Nos dois cenários, porém, há algo que permanece igual: o Flamengo segue líder do Campeonato Brasileiro e apresentando um futebol superior ao de seu principal concorrente. É um bom sinal, ainda que o placar não traduza totalmente o que foi visto em campo.
Fonte/Créditos: GE
Créditos (Imagem de capa): GE
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