Segundo a Polícia Federal, em uma mensagem enviada dois dias antes de ser preso, o dono do Master perguntou ao ministro do Supremo Alexandre de Moraes se tinha que deixar o Brasil. Ainda de acordo com a PF, Daniel Vorcaro pediu ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o banco. O relatório afirma que Vorcaro e Moraes se encontraram oito vezes.
A Polícia Federal encontrou 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, de 28 de outubro a 17 de novembro de 2025 - dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Na época, o Banco Master já era alvo de investigações. Nos diálogos, segundo os investigadores, os dois combinaram encontros e conversaram sobre as investigações envolvendo o Master.
Segundo o relatório da Polícia Federal, foi o ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro, Fábio Faria, quem compartilhou o contato de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. A PF afirma que os contatos nominados como "Alexandre de Moraes Brasília", "Novo", "STF TSE Novo" e "Eu STF", todos com o mesmo número de telefone, foram compartilhados pelo interlocutor registrado no dispositivo como "Fábio Faria", em 26 de dezembro de 2023, às 11h43, por meio do aplicativo WhatsApp. Ato contínuo, o contato "Alexandre de Moraes Brasília" foi salvo na agenda telefônica de Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, no dia seguinte, Fábio Faria encaminha mensagem a Daniel Vorcaro mencionando "Alex" e almoço no dia 30. O banqueiro envia a localização do hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão, São Paulo, e o contato de sua funcionária, salvo em seu telefone como "Thatiane Prime". A PF afirmou no relatório que Daniel Vorcaro acompanha como ocorre a visita da comitiva do interlocutor "Alex" junto com seu funcionário Michael. Ele pergunta: "Chegaram?". E o funcionário responde: "Chegou. Tô apresentando a casa".
A PF descobriu que Vorcaro escrevia no bloco de notas os textos que enviava a Moraes fora do WhatsApp. Segundo a polícia, ele tirava prints da tela e depois enviava as fotos dos textos como imagens de visualização única, aquelas que se apagam assim que são lidas. A mesma dinâmica se repetia nas respostas do ministro, segundo a investigação. A PF não conseguiu recuperar as mensagens enviadas por Moraes porque os dados só ficam armazenados no aparelho de quem envia o conteúdo, e o celular de Moraes não foi apreendido. Já as mensagens de Vorcaro foram recuperadas porque continuaram acessíveis no celular dele, apreendido na primeira vez em que ele foi preso.
Em 30 de outubro de 2025, Vorcaro diz que vai alterar uma passagem para encontrar Alexandre de Moraes e fala sobre as apurações do Banco Central envolvendo o Master. O banqueiro disse a Moraes que tinha acesso a informações confidenciais de dentro do BC. Falou sobre o avanço das investigações da Polícia Federal e do trabalho do Ministério Público.
Vorcaro escreveu a Moraes: "Vou mudar minha ida a Abu Dhabi pra conseguir te ver, se você puder na terça-feira. As coisas aqui do ponto de vista econômico estão andando bem. Consegui colocar no banco 800 milhões e já devem entrar mais 400 milhões próxima semana. E FGC", o Fundo Garantidor de Crédito, "começou a fazer aos poucos. O problema agora é que tive informações informais e em confidência de turma do Banco Central, que G" – Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, segundo a PF – "e os diretores estão na pressão máxima de novo para uma medida, pois o Bacen está sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim. É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém debaixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco". Segundo as investigações, uma referência ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A mensagem prossegue: "Estou disponível pra tratar e explicar qualquer coisa. Só não pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que têm ido ao Bacen alegando que farão algo em breve".
A investigação da PF já apontou que dois então diretores do BC, Bellini Santana e Paulo Sérgio de Sousa, passavam informações a Vorcaro em troca de propina. Não é possível saber o que Moraes respondeu.
Em outra mensagem, Daniel Vorcaro disse: "De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados. Eles participaram das reuniões, por isso info 100%. Eu só não posso queimá-los porque tinham poucas pessoas e saberão que eles me falaram se isso chegar no G" – Gabriel Galípolo. "Então temos só que ter cuidado de como conduzir com o G depois".
O banqueiro seguiu a conversa e disse ao ministro: "Tudo de importante no final fica no seu colo. Impressionante, mas seu legado pro Brasil será eterno. Tenho muito orgulho e tenho certeza que cada vez mais se consolidará como a pessoa mais importante do país. Então todo o sacrifício pessoal no final valerá a pena". E concluiu: "Juntos em tudo. Muito obrigado por tudo. Esse fim de semana tratarei do tema lá de fora e te dou notícia".
No dia 4 de novembro de 2025, a 13 dias de sua prisão durante tentativa de fuga para o exterior, Daniel Vorcaro voltou a falar com Moraes. Ele buscava informações sobre o avanço das investigações:
"Mas pedido deferido por parte deles? Algo que dê para bloquear? Porque se conseguem alguma medida contra agora, vai tudo por água abaixo. Essa minha maior preocupação".
Vorcaro, então, citou formas de tentar barrar o caso: "Não sei nem do que se trata pra poder tentar atuar. Se vier algo, Bacen entrará na hora. Já me avisaram isso. FGC também. Ele não consegue segurar isso? Ou passar de onde seria pra podermos tentar falar com Paulo?". Segundo a PF, o procurador Paulo Gonet. A conversa seguiu e Vorcaro perguntou sobre medidas que poderiam ser adotadas contra ele: "Médio a grave seria busca ou quebra de sigilo? Só vai saber quando ele chamar, né?".
Fonte/Créditos: G1
Créditos (Imagem de capa): G1

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