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Feliz no México, Luan acompanha a Copa de perto e planeja futuro no Palmeiras até depois de parar

Zagueiro, hoje no Toluca, diz que deseja trabalhar no Verdão após se aposentar e critica polarização na torcida pela Seleção

Feliz no México, Luan acompanha a Copa de perto e planeja futuro no Palmeiras até depois de parar
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O zagueiro Luan fez história no *Palmeiras* e, agora, vive uma nova fase no futebol mexicano. Tão inédita que, após 15 anos, o defensor brasileiro ajudou o Toluca a se sagrar campeão local. *E ainda teve gol em uma das finais.*

O bom momento não fez Luan esquecer o *Palmeiras*. Pelo contrário: em entrevista exclusiva ao *ge*, o zagueiro relevou que ainda quer voltar antes da aposentadoria. Não é só para terminar a carreira no Verdão, mas preparar o terreno para um desafio como membro da comissão técnica.

- Eu tenho uma gratidão eterna pelo *Palmeiras*. Espero um dia poder retornar ao clube para trabalhar. Seria uma honra muito grande poder trabalhar lá também, depois de me aposentar. Sinto que tenho mais quatro, cinco anos de carreira ainda – disse o zagueiro.

- Ainda não tenho decidido o que é que eu vou fazer. Ainda tenho uns anos para pensar. Óbvio, venho estudando, tenho até o curso da CBF de treinador, então acho que é algo que eu posso pensar mais com calma – analisou.

O curioso é que o próprio *Abel Ferreira ajudou o zagueiro a se formar no curso da CBF*. Em 2022, o treinador cravou: "Não sei quando, mas Luan vai ser treinador". Quem sabe não será no *Palmeiras*.

Luan deixou o *Palmeiras* com a gratidão da torcida, mas um episódio ainda o incomodava. O pênalti cometido na final do Mundial de Clubes em 2021, que deu a vitória por 2 a 1 ao Chelsea sobre o Verdão, foi o momento de maior tristeza na passagem.

– Tudo eu tento tirar de lição e o aprendizado que era o momento que eu tinha que viver para talvez me tornar um jogador melhor, ou até uma pessoa melhor. São coisas que ninguém quer passar. A gente não trabalha a semana inteira pra isso, mas a gente tá sujeito a isso no campo e que me serviu de um grande aprendizado, de verdade – revelou.

Torcida na Copa do Mundo

 

Como vive no México, país sede da Copa do Mundo de 2026, o contato com a competição é direto. Luan acompanhou a estreia do Brasil, em Nova Jersey, a convite de Weverton. A viagem serviu também para reencontrar outros ex-companheiros de Palmeiras, como Marcelo Lomba, Dudu e Mayke.

Sobre a estreia, o defensor analisou que o Brasil ainda precisa melhorar, mas pode ser campeão sob o comando de Carlo Ancelotti. Mas, para o jogador, a polarização política do país interfere na relação entre torcida e jogadores.

Ele citou o exemplo de 2016, quando representou o Brasil nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. A seleção de Neymar e companhia terminou com o ouro inédito, mas sofreu com críticas e pressão ao longo de toda a campanha.

– É muito difícil representar o Brasil porque acho que o Brasil tem se tornado, eu não gosto nem de falar isso, mas a política tem influenciado muito no futebol, e a população anda um pouco meio fervorosa com essas coisas de política, então eles acabam transformando a raiva que eles têm na maior paixão deles, que é o futebol – finalizou.

Luan está com 33 anos e falou com a reportagem do ge por cerca de 40 minutos. Além de Palmeiras e seleção brasileira, o zagueiro também se aprofundou na nova fase no México e sobre o Vasco da Gama, clube que o revelou para o futebol.

 

Veja outros trechos da entrevista do Luan, zagueiro do Toluca:

 

A decisão de ir para o México
– A gente já pensava em viver a experiência fora do Brasil, uma cultura diferente para nós e também para as crianças. Entendi que o ciclo ali no Palmeiras já tinha sido cumprido e era um momento de ir para outro desafio. O México foi o mercado que apareceu e me seduziu, porque é uma liga muito competitiva. Tive outra oportunidade do México também, mas eu acabei optando pelo Toluca.

– Era um clube que não ganhava há muito tempo e a gente têm conseguido agora, dos últimos sete campeonatos que disputamos, ganhamos cinco. Na verdade não é campeonato, a gente ganhou duas ligas, uma como a Champions League, mas só que quando você ganha esses torneios eles te dão direito a jogar uma final, como se fosse a Supercopa e a Recopa. Então a gente acaba considerando que ganha mais um campeonato, então acho que estou muito feliz aqui.

Cultura mexicana e estrutura do Toluca
– É uma cultura muito similar ao Brasil, são calorosos, fervorosos e desfrutam bastante do futebol. Só é um pouco diferente porque aqui eles desfrutam mais, não tem aquela cobrança tão pesada como a gente conhece que tem no Brasil. Me adaptei super bem, gosto muito, meus filhos também se adaptaram muito bem, estão felizes, já falam fluente o espanhol. Tem sido uma experiência muito boa dentro e fora de campo.

– Não se compara ao Palmeiras, que tem estrutura absurda, mas o Toluca tem ótimas condições para trabalhar. Ainda falta um pouco para eles chegarem no nível do Palmeiras, mas não nos falta nada.

Início no Vasco
– Sinto muita falta dessa época, passa muito rápido. Acabo de completar 33 anos e ali eu era apenas um garoto cheio de dúvidas, mas com muitos sonhos e muita fome dentro do meu coração e da minha cabeça. Então eu fico muito feliz de olhar para trás hoje e ter orgulho desse menino que lutou pelos sonhos.

– No Vasco ali foi a realização do meu sonho, o clube que me projetou para o futebol, que me tirou da casa dos meus pais e me abrigou dentro do clube. Então eu tenho minha gratidão eterna. É o clube do meu coração, com certeza o Vasco. Só que a gente sabe que é um clube que vive uma instabilidade grande já há alguns anos.

– Fico na torcida para que o clube alcance resultados da grandeza do clube, que a torcida merece. E eu acho que isso está cada vez mais próximo pelas notícias que eu vejo de uma reestruturação do clube. Eu acho que todo jogador que é revelado no clube, o sonho dele é ganhar algum título por esse clube. Mesmo sabendo o tamanho da grandeza do Vasco, eu queria ter ganho outros títulos com o Vasco, mas ter ganho esses dois campeonatos estaduais me senti muito orgulhoso, honrado de poder estar fazendo feliz e aumentando o nome da história do clube, de um clube que me deu tudo.

Relação com Felipão e Abel
– Nunca tive dúvida, até porque era o começo desse momento que o Palmeiras vem construindo até hoje, de estrutura, de estabilidade, de uma equipe que ia brigar sempre para ganhar. Já estava almejando títulos grandes e, naquele momento, o Vasco não podia me oferecer isso, então foi uma boa venda tanto para mim quanto para o clube.

– Acho que foi uma virada muito grande na minha carreira ali. No primeiro ano a gente não conseguiu ganhar, mas já em 2018 a gente começa ganhando o Campeonato Brasileiro, então *Palmeiras* sem dúvidas é um clube muito importante para mim. Foi uma honra vestir a camisa do *Palmeiras*. Eu costumo dizer que o Vasco é o time do meu coração e o *Palmeiras* é o time da minha vida.

– O Felipão é um pai para todo jogador que trabalha com ele. Ele me ajudou a ter uma virada de chave dentro do clube e minha gratidão é eterna por ele, pela pessoa, pelo treinador, pelo ser humano, é um cara realmente sensacional. E o Abel foi o cara que me despertou para começar a entender mais o jogo, sabe? Antes, eu acho que jogava muito sem entender o que estava passando e depois eu tenho uma virada com o Abel, que é entender mais o que se passa no jogo, onde estão os espaços, o que fazer em todas as fases do campo. O Abel é um cara muito estudioso e ele passa isso muito para você também.

Amizades e reconhecimento da torcida do Palmeiras 

– Daquele grupo ali, as amizades que eu fiz, que com certeza vão participar do meu ciclo da vida até a gente envelhecer, é o Mayke, o Lomba, o Veiga, o Dudu, são esses caras que eu levo uma amizade mais forte, assim, que tenho certeza que a gente vai ser amigos pra toda a vida. A gente tem um grupo de WhatsApp, nós cinco, então a gente tá sempre se falando, às vezes a gente se chama de vídeo pra contar as novidades e tal. Agora eu passei férias com o Dudu, o Mayke e o Wesley, que também é um grande amigo meu. Agora estou com o Lomba aqui. Só o Rapha (Veiga) que não deu pra encontrar, porque ele já está em pré-temporada.

– Para mim o maior título no Palmeiras é o reconhecimento das pessoas como um grande homem, um grande companheiro, um cara honesto que sempre trabalhou, não desrespeitou em nenhum momento a instituição. Olhar pra trás e ver o respeito dos seus companheiros, do torcedor e de todas as pessoas que viveram essa jornada junto comigo, para mim é um sentimento de gratidão enorme.

Fonte/Créditos: Globo Esporte

Créditos (Imagem de capa): Globo Esporte

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