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Advogada que sobreviveu a incêndio com queimaduras em 63% do corpo fala sobre recuperação e próximos passos

Em 1ª entrevista após alta, Juliane Vieira relembra os acontecimentos e os sentimentos que a levaram a se arriscar para salvar a família no fatídico 15 de outubro. Ela teve queimaduras após salvar a mãe e o primo de apartamento em chamas.

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A advogada Juliane Vieira, de 29 anos, recebeu alta nesta semana após ficar internada por três meses no Hospital Universitário de Londrina, referência no tratamento de queimados no Paraná. Ela deixou o hospital sob aplausos de profissionais de saúde e foi acompanhada pela equipe que participou do tratamento.

Juliane foi internada em outubro com 63% do corpo queimado, após voltar a um apartamento em chamas para salvar a mãe, de 51 anos, e o primo, de 4 anos, do incêndio incêndio.

Em primeira entrevista após o acidente, a advogada relembra os acontecimentos e os sentimentos que a levaram a se arriscar para salvar a família, e fala dos sacrifícios que a recuperação exigiu.

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A princípio eu fui a primeira sobrevivente com mais de 60% do corpo queimado e saí bem da UTI, saí andando. Agora a gente passa por essa fase de reabilitação e esperar o corpo se regenerar.

O resgate da família

 

A advogada conta que recorda de todos os momentos daquele 15 de outubro, inclusive de ter acordado com os gritos do primo Pietro, de 4 anos, que já avisava do fogo.

As chamas começaram na cozinha e se espalharam pelo imóvel, que ficava no 13º andar do prédio. Além de Juliane e do primo, a mãe da advogada, Sueli, também estava no imóvel.

 

"Quando eu saí do quarto, eu já vi que tinha um fogo grande. O Pietro estava do outro lado do fogo, peguei ele no colo, tentei sair pela única saída, a saída principal, mas ela estava trancada", ela lembra.

Impossibilitada de sair pela porta, Juliane subiu no suporte de ar-condicionado do apartamento e colocou o primo na janela do apartamento de baixo. "Falei para ele: 'fica quietinho e segura na redinha [de proteção].' E assim ele obedeceu. E, por obra divina, a moradora do apartamento resolveu abrir a janela."

A moradora do apartamento do andar de baixo era Seliane, que havia saído de casa, mas voltou para pegar uma bolsa. Num impulso, ela decidiu abrir a janela. "u abro a janela não sei por quê, não consigo explicar por quê. E a criança estava aqui, toda escura, cheia de fumaça."

O técnico em refrigeração Lincoln de Oliveira e o pedreiro Tiago Gomes, que estavam fora do prédio, correram para ajudar no resgate e salvaram Sueli.

Juliane diz que a mãe chegou a pensar que iria morrer, ao que ela respondeu: "Pula que eu te seguro". A advogada conseguiu segurar Sueli por um tempo, até finalmente conseguir direcioná-la para um dos homens que ajudavam do lado de fora.

Após deixar o hospital, Juliane e Sueli se encontraram com Lincoln. No reencontro, elas agradeceram ao técnico de refrigeração por ter resgatado a mãe.

Juliane também tentou descer pelo suporte do ar-condicionado, mas não tinha apoio. Ela foi puxada de volta para o apartamento por um bombeiro. Na tentativa de sair do imóvel, Juliane e o sargento Ademar de Souza Migliorini foram atingidos pelas chamas. Ele chegou a ter queimaduras de terceiro grau e ficou internado por 5 dias.

Tratamento e reabilitação

 

Juliane foi atendida na rede pública: primeiro em Cascavel e depois em Londrina, para onde foi levada de helicóptero em estado grave.

No Hospital Universitário de Londrina, ela ficou três meses na UTI. O hospital tem um centro com mais de 100 profissionais especializados e 16 vagas para pacientes. O caso de Juliane foi descrito como um dos mais complexos da história da unidade.

A cirurgiã plástica Xenia Tavares disse que a advogada chegou com queimaduras extensas, principalmente nos membros inferiores, e que a equipe precisou planejar como obter pele suficiente para os procedimentos.

Juliane passou por quase 20 procedimentos cirúrgicos, incluindo enxertos, transplante de pele e raspagem. Ela ficou mais de um mês em coma induzido, mas com apoio da equipe médica, passou a se recuperar.

Mas, mesmo após a alta, o tratamento continua. E os desafios, também.

 

"[Minha pele] Coça, está muito calor, eu preciso tomar mais de um banho, dois banhos, às vezes por dia. E é difícil porque eu só tomo banho com o auxílio da minha mãe, por hora, mas com as minhas fisioterapias diárias eu estou retomando os meus movimentos, aos poucos, mas conseguindo."

 

Juliane também faz fisioterapia diariamente e tem retomado movimentos aos poucos. Mas ela ainda deve passar por procedimentos caros e demorados e provavelmente não conseguirá retornar às atividades profissionais antes de um ano.

Ainda assim, Juliane declarou que pretende voltar a advogar e vai continuar estudando.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): G1

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Rede Barueri News

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