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PM aposenta com salário integral tenente-coronel preso por suspeita de matar a esposa em SP

Oficial é investigado por feminicídio e fraude processual e está preso preventivamente; defesa inicial apontava suicídio, mas laudos da Polícia Civil contestaram versão e o acusam de feminicídio e fraude processual. Último salário bruto dele antes de ser preso foi de R$ 28,9 mil.

PM aposenta com salário integral tenente-coronel preso por suspeita de matar a esposa em SP
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A Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) publicou nesta quinta-feira (2) uma portaria de inatividade que manda para a reserva otenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob acusação de feminicídio pela morte da esposa, a PM Gisele Alves Santana.

A portaria assinada apenas Diretoria de Pessoal da PM diz que, pela lei, Geraldo Neto tem o direito da aposentadoria pelos critérios proporcionais de idade, com vencimentos integrais.

Ou seja, mesmo aposentado, ele continuará recebendo o salário que – no mês de fevereiro de 2026, antes da prisão – foi de R$ 28,9 mil brutos, segundo o site da Transparência do Governo de São Paulo.

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Com os critérios de proporcionalidade da idade atual dele, de 53 anos, o salário de aposentado do tenente-coronel deve ficar em torno de R$ 21 mil, segundo cálculos feitos pela reportagem.

O pedido de aposentadoria foi feito pelo próprio tenente-coronel à corporação.

A PM afirma que a aposentadoria não faz com que o tenente-coronel escape do processo de expulsão de corporação, aberto pela corregedoria contra o oficial. A aposentadoria pode ser questionada na Justiça.

Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse "que o pagamento dos vencimentos do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto está suspensa desde a sua prisão, em 18 de março".

"A passagem para a reserva não interfere na responsabilização penal ou disciplinar do militar, que poderá ser demitido da corporação e perder o salário. A interrupção dos vencimentos previdenciários depende de decisão judicial definitiva", declarou a pasta.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse também que "autorizou, a pedido do Comando da Polícia Militar, a instauração de um conselho de justificação em relação ao tenente-coronel Geraldo Neto, que pode resultar em demissão, perda do posto e da patente. A instrução continua a valer mesmo após a transferência do oficial para a reserva".

 

"O inquérito policial militar que apura a morte da soldado Gisele Alves Santana está em fase final e será encaminhado ao Judiciário. O oficial permanece preso preventivamente por decisão judicial, após representação da Corregedoria da PM. Além disso, o inquérito da Polícia Civil já foi concluído e encaminhado à Justiça, com pedido de prisão, que também já foi cumprido. A PM reafirma seu compromisso com a legalidade, a disciplina e a preservação dos valores que regem a atividade policial militar", disse a corporação.

Geraldo Neto foi preso em 18 de março,

após prisão preventiva ser decretada pela Justiça Militar, acusado de feminicídio e fraude processual.

Ele é acusado de forjar a morte da esposa, a PM Gisele Alves Santana, que morreu com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal vivia no Brás, no Centro de São Paulo.

Na ocasião, Geraldo Neto disse que a esposa tinha se suicidado. Mas investigações da Polícia Civil, baseadas em laudos periciais, descobriram uma série de lacunas na versão do tenente-coronel, que teve a prisão preventiva decretada e está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.

O que dizem as partes

 

O advogado criminalista da família de Gisele Alves Santana – José Miguel da Silva Júnior- comentou a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Neto, e disse estranhar que ele tenha conseguido o benefício em pouco menos de sete dias do pedido.

 

“Causou espécie a nós a celeridade da corporação [PM] em aposentá-lo. Tenho notícias que entraram com esse pedido e, em menos de uma semana e hoje foi publicado no Diário Oficial. Temos notícias que policiais doentes precisam entrar na Justiça para conseguir esse benefício. Os praças levam ao menos 60 dias [pra conseguir a reserva]. Depois vêm à público dizer que corta na carne? Que não admite a conduta incompatível, sendo que estão dando privilégios para o sr tenente-coronel?”, disse.
“Essa aposentadoria não vai barrar o conselho de justificação que vai demiti-lo. Nós temos convicção disso. Por outro lado, a gente não acha justo esse cidadão que cometeu um crime tão bárbaro continuar recebendo valor às custas da população, inclusive dos pais da Gisele que pagam seus tributos”, afirmou o criminalista.
 
Mensagens apagadas
 
A análise de dados feita pela investigação da Polícia Civil no celular da soldado Gisele Alves Santana, que morreu após ser encontrada baleada na cabeça dentro do apartamento em que morava no Brás, Centro de São Paulo, apontou que o aparelho foi manuseado e desbloqueado minutos após o tiro disparado e teve mensagens apagadas pelo marido, o tenente coronel Geraldo Neto.
 
Geraldo foi preso preventivamente em 18 de março, quando se tornou réu na Justiça por feminicídio e fraude processual. Inicialmente, ele afirmou que a esposa havia se suicidado após uma discussão, mas a versão foi descartada após laudos apontarem feminicídio
 
Segundo a investigação, o celular de Gisele foi desbloqueado pela última vez às 7h58min18s. Também houve outros desbloqueios às 7h47min29s e às 7h49min24seg. No entanto, o tenente-coronel já havia ligado para o 190 antes disso às 7h54min58s.
 

A essa hora, Gisele já havia sido baleada. Aos investigadores, uma vizinha afirmou que ouviu um estampido único e forte às 7h28.

Já em relação às mensagens, a polícia afirma que não havia, no celular do tenente-coronel, nenhuma conversa com Gisele no dia anterior à morte, 17 de fevereiro. No entanto, os dados recuperados do aparelho dela mostram o contrário: os dois trocaram mensagens naquele dia, incluindo discussões sobre o divórcio.

As conversas apagadas foram recuperadas pela polícia e apontam que a última mensagem de Gisele para o marido foi enviada às 23h, em que ela dizia que Geraldo podia entrar com o pedido de divórcio. Veja transcrição abaixo das mensagens recuperadas:

 

  • Gisele às 22h47: Mas já que decidiu separar
  • Gisele às 22h48: Agora podemos tratar de como vou sair
  • Gisele às 22h59: Vc confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão
  • Gisele às 23h: Vejo que se arrependeu do casamento, eu tbm, e tem todo direito de pedir o divórcio não quero nada seu, como te disse eu me viro pra sair tenho minha dignidade
  • Gisele às 23h: Pode entrar com pedido essa semana
Para a investigação, as conversas foram apagadas para o tenente-coronel sustentar a versão de que seria o responsável pelos pedidos de separação, e não a vítima.

 

 

Episódios de agressividade

 

Policiais militares relataram à Polícia Civil que tiveram conhecimento dos episódios de agressividade do marido dela, o tenente coronel Geraldo Neto, dentro do quartel.

Uma das testemunhas, que atuava no Departamento de Suporte Administrativo do Comando Geral (DSA/CG), afirmou que soube que, durante uma discussão em um corredor entre a reserva de armas e a seção de logística, ele teria segurado Gisele pelos braços e a pressionado contra a parede.

Outra policial do mesmo departamento disse ter ouvido de colegas que câmeras de segurança do quartel já teriam registrado o oficial com as mãos no pescoço da vítima, em uma situação descrita como um tipo de sufocamento.

Há ainda relatos de que, antes do casamento, o comportamento do tenente-coronel já havia motivado medidas internas. Uma policial afirmou que ele chegou a ser impedido de entrar no quartel após militares da guarda presenciarem uma discussão considerada mais agressiva entre o casal.

O caso teria chegado ao comando, que conversou com Gisele, e o tenente-coronel foi afastado temporariamente do local. Depois do casamento, segundo a mesma testemunha, ele voltou a frequentar o quartel.

Após esses episódios, os depoimentos apontam para um padrão de comportamento considerado controlador e marcado por ciúmes excessivos. Testemunhas relataram que Gisele demonstrava preocupação com a reação do marido até mesmo em relação ao ajuste da farda ou ao uso de itens de beleza.

Por fim, policiais disseram que, na presença do tenente-coronel, Gisele mudava de comportamento. Descrita como uma pessoa extrovertida no ambiente de trabalho, ela ficava mais calada, reservada e tensa quando ele aparecia, o que, segundo os relatos, era percebido por diversos colegas.

 

Laudos e provas de feminicídio

Segundo o Ministério Público, laudos periciais, reprodução simulada e mensagens analisadas indicam que o tenente-coronel segurou a cabeça de Gisele e atirou contra ela, descartando a hipótese de suicídio.

Na sequência, ainda segundo a acusação, ele teria manipulado a cena do crime para simular que a soldado teria tirado a própria vida, o que fundamenta a imputação de fraude processual.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): G1

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Rede Barueri News

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