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Luiz Henrique mentaliza todos os dias que decidirá final da Copa: "Tenho a forma que será o gol"

De frente para o espelho, atacante afirma diariamente que será decisivo na conquista do hexa; ao ge, ele comenta naturalidade com que joga pela Seleçã

Luiz Henrique mentaliza todos os dias que decidirá final da Copa:
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Há quem diga que o primeiro passo para alcançar uma grande conquista é enxergá-la como possível. E é baseado nessa crença que o atacante Luiz Henrique adotou um ritual: todos os dias ele se olha no espelho e diz para si mesmo que decidirá a Copa do Mundo a favor da seleção brasileira.

Mais do que isso: Luiz Henrique imagina diariamente como será a jogada de seu gol em 19 de julho, data da final da Copa.

– Eu não tenho o adversário, mas eu tenho a forma que será o meu gol na final. E eu venho mentalizando isso todo dia – contou o atacante, em entrevista ao ge.

O hábito nasceu a partir de um conselho de um mentor que trabalha com Luiz Henrique. Juntos, eles desenvolvem exercícios de concentração e discutem formas de manter a tranquilidade e o foco durante os jogos.

– Ele fala para todos os dias eu acordar, olhar no espelho e falar que eu vou fazer o gol da final da Copa do Mundo, que eu vou ser o melhor da Copa do Mundo. Então, todos os dias eu venho mentalizando isso, para que quando chegar esse momento eu esteja preparado e concentrado para fazer esse gol e a seleção brasileira ser campeã.

Se é pela força do pensamento ou não é impossível saber, mas fato é que Luiz Henrique ganhou importância na Seleção nos últimos tempos. Presente em cinco das seis convocações de Carlo Ancelotti, o atacante entrou na briga por uma vaga de titular, sobretudo após a lesão de Estêvão.

– Sempre que eu chego na Seleção, eu visto aquela camisa ali e sinto que estou com meus amigos, eu sinto que estou brincando com meus colegas. Por isso que todas as vezes que eu entro em campo eu sempre quero entrar leve, sorridente, para trazer alegria para a nossa torcida brasileira – comentou.

Nesta entrevista, realizada antes da apresentação à Seleção, Luiz Henrique falou sobre as expectativas para a Copa do Mundo, a decisão de jogar na Rússia, a relação com Carlo Ancelotti e muito mais. Confira abaixo:

Este ciclo de Copa começou com você ainda no Betis e, depois disso, muita coisa aconteceu. Você vai para o Botafogo, conquista Libertadores e Brasileirão, chega à Seleção, vai à Rússia... Quando olha para trás, como avalia tudo isso?
– Foi um ciclo que foi muito rápido para mim. Fui para o Betis ganhar experiência, conhecer a Europa, isso foi importante para mim. Quando eu voltei para o Brasil, eu voltei já mais maduro, mais resiliente também, sabendo que no Brasil também não seria fácil, porque sabemos que no Brasil o campeonato é muito rápido, não tem tempo para descansar. Mas essa minha experiência na Europa foi muito boa para que eu pudesse chegar no Brasil mais experiente. E depois foi minha chegada na Seleção, que eu sempre desejava na minha vida e na minha carreira. Não só eu, mas creio que todos os jogadores querem defender o seu país. Quando eu cheguei ali, fiquei muito contente pela oportunidade, era o Dorival Júnior (o técnico), ele me deu a oportunidade e eu pude agarrar. Depois, com Carlo Ancelotti, eu fui dando seguimento nos meus trabalhos que eu já estava fazendo com Dorival Júnior, isso foi muito importante para mim, para que eu pudesse me manter bem ali quando o Ancelotti chegou. Continuei na mesma perspectiva, na mesma intensidade.

Você demonstra tranquilidade sempre que está na Seleção, parece jogar leve. Na sua segunda data FIFA já fez gol, deu assistência. De fato, você não sente esse peso?
– Eu quero chegar na Seleção e mostrar o meu talento, eu quero ser o Luiz Henrique do Vale do Carangola, aquele menino que brincava com seus amigos ali. Então, sempre que eu chego na seleção brasileira eu visto aquela camisa ali, eu sinto que estou com meus amigos, eu sinto que estou brincando com meus colegas. Então, por isso que todas as vezes que eu entro em campo, sempre quero entrar leve, sorridente, para trazer alegria para a nossa torcida brasileira.

Em cima disso, na data Fifa de março teve uma imagem muito bonita de você cantando o Hino Nacional a plenos pulmões, sorrindo...
– Eu me sinto muito honrado de estar defendendo a camisa da seleção brasileira, que sempre foi o meu sonho. Eu estava cantando com toda a minha felicidade de que eu realizei não só o meu sonho, mas o sonho da minha família, o sonho da minha esposa, da minha filha de me ver jogando na maior seleção do mundo. Todas as vezes que eu estiver na seleção brasileira eu vou estar com essa felicidade, com esse humor, com esse carisma, para que todos os nossos jogadores também possam colocar essa felicidade, esse carisma dentro de campo, para que a nossa torcida veja que a gente está se entregando e se doando ali dentro.

A comissão técnica e os outros jogadores incentivam essa sua ousadia?
– Todos ali que estão ao nosso redor na seleção brasileira deixam a gente o mais tranquilo possível, o mais leve possível para entrar dentro de campo. O Ancelotti fala: "pega a bola, vai para cima, ajuda também a marcar, seja você, seja feliz." Isso já me deixa mais tranquilo para entrar dentro de campo. Quando o jogador que tem experiência na seleção chega perto de você e fala para você ir para cima, para ser você mesmo, driblar, chutar para o gol, então a gente já entra em campo mais tranquilo, mais leve. E isso é importante para nós, jogadores que estão chegando agora na seleção, ter essa confiança dos outros jogadores.

Você fala em manter a essência daquele menino do Vale do Carangola. E quais lembranças de Copa do Mundo você tem daquela época? Tem alguma que te marcou mais?
– Quando eu era menor, a gente se reunia para pintar a rua, para botar coisas na parede, fazer símbolo da seleção. A gente sempre via o jogo da seleção, gostava de futebol, toda hora estava brincando ali no campinho, falava que o sonho era estar na Copa do Mundo, disputando essa taça para a seleção brasileira. Então, hoje eu me vejo dentro da seleção brasileira, isso é muito importante para mim.

– Acho que lembrança assim eu não tenho muito. Mas eu via a seleção quando o Neymar jogava, a gente ficava doido. Eu via muitos jogadores, já vi também Fred jogar. Foi muito importante ver esses jogadores de alto nível jogando a Copa do Mundo e hoje jogar junto com o Neymar vai ser uma honra.

Quando você aceitou ir para o Zenit muita gente achou que essa transferência te afastaria da Seleção. Você era o Rei da América, estava no auge. Agora que está na Copa, como você avalia aquela decisão?
– Para mim, o Zenit foi o melhor caminho que eu fiz. Eu não tinha nenhuma dúvida que se eu continuasse o meu trabalho que eu fiz no Botafogo de 2024 eu poderia ir para a Seleção, eu poderia ser convocado outras vezes. Falei para mim mesmo: não posso deixar de trabalhar, tenho que trabalhar todos os dias, manter o meu alto nível fisicamente e taticamente para quando eu tiver a oportunidade, o Ancelotti ou a sua comissão verem algum jogo eu estar bem. Foi como aconteceu: estou aqui no Zenit e sempre estão me vendo, não importa se eu estou um pouco distante, é importante continuar o trabalho, continuar mantendo o alto nível.

Em campo você está adaptado, mas e fora? Como é a vida na Rússia?
– Aqui é muito tranquilo. Muitas pessoas pensam o contrário, mas aqui é muito tranquilo. Tem bastante brasileiro no clube também. Também tem o nosso auxiliar técnico Willian, que nos ajuda muito no dia a dia para conversar, para conhecer coisas também aqui na Rússia. Tirei de letra, porque os brasileiros me ajudaram bastante.

Voltando a falar da Seleção, lógico que vocês lamentam quando um companheiro se machuca, mas a ausência do Estêvão abre espaço para você entrar na equipe. Está preparado para ser titular em uma Copa?
– Como você falou, lamento pela lesão do Estevão. É um moleque que eu era muito parceiro na seleção brasileira, a gente conversava muito no dia a dia, nos treinamentos, nos jogos. É um cara que iria ajudar muito a Seleção se ele estivesse apto para ir à Copa do Mundo. Mas eu não quero me escalar, eu quero deixar o Ancelotti escalar a equipe. Se eu tiver oportunidade, eu vou fazer como eu venho fazendo em todos os jogos, em todos os treinos, trabalhando, conquistando o meu espaço ali com toda humildade e com toda tranquilidade para esperar a minha oportunidade. E quando a oportunidade aparecer, eu vou entrar em campo para ajudar a seleção brasileira.

 

Fonte/Créditos: Globo Esporte

Créditos (Imagem de capa): Globo Esporte

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