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Lula diz que Brasil quer negociar, cobra respeito às leis brasileiras e nega que críticas aos EUA tenham motivado tarifas de Trump

O Jornal Nacional entrevistou, nesta quinta-feira (10), o presidente Lula, sobre as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos para produtos brasileiros de exportação.

Lula diz que Brasil quer negociar, cobra respeito às leis brasileiras e nega que críticas aos EUA tenham motivado tarifas de Trump
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O Jornal Nacional entrevistou, nesta quinta-feira (10), o presidente Lula sobre as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos para produtos brasileiros de exportação. Ele disse à repórter Delis Ortiz que o Brasil quer negociar, mas cobrou respeito às decisões brasileiras e admitiu responder com tarifas iguais se não houver acordo.

Delis Ortiz, repórter: A primeira pergunta é de ordem prática. O senhor mencionou a Lei da Reciprocidade mesmo com a ameaça explícita do presidente Trump de responder com mais tarifas a qualquer taxação decidida pelo Brasil. Como é que o governo pretende escapar desse círculo?

Lula, presidente do Brasil: Primeiro é importante levar em conta que algumas coisas que um ser humano e um governo não pode admitir. É a ingerência de um país na soberania de outro. E mais grave: intromissão de um presidente de um país no Poder Judiciário do meu país. É inaceitável que o presidente Trump manda uma carta pelo site dele e começa dizendo que é preciso acabar com a caça às bruxas. Isso é inadmissível. Primeiro porque isso aqui tem justiça e a gente está fazendo um processo com direito a presunção de inocência de quem é vítima. Se quem é vítima e cometeu um erro vai ser punido. Aqui no Brasil é punido. A segunda coisa é que é inverossímil o fato pelo qual se aumentou a tarifa. O presidente Trump deve estar muito mal informado, porque nos últimos 15 anos o déficit para o Brasil é de R$ 410 bilhões entre comércio e tarifas. Portanto, não existe explicação a não ser uma falta de informação e depois tentando atrapalhar uma relação muito virtuosa que o Brasil tem com os Estados Unidos há 200 anos. O que que eu vou fazer na verdade? Primeiro eu não perco a calma e não tomo decisão com 39ºC de febre. O Brasil utilizará a Lei da Reciprocidade quando necessário e o Brasil vai tentar, junto com a OMC e outros países, fazer com que a OMC tome uma posição para saber quem é que está certo ou que está errado. A partir daí, se não houver solução, nós vamos entrar com a reciprocidade já a partir de 1º de agosto, quando ele começa a taxar o Brasil. Nós entendemos que o Brasil é um país que não tem contencioso com ninguém. Nós não queremos brigar com ninguém. Nós queremos negociar e o que nós queremos é que seja respeitada as decisões brasileiras. Portanto se ele ficar brincando de taxação vai ser infinita essa taxação. Nós vamos chegar a milhões e milhões de milhões de por cento de taxa. O que o Brasil não aceita é intromissão nas coisas do Brasil. Ele tem o direito de tomar decisão em defesa do país dele, mas com base na verdade. Se alguém orientou ele com uma mentira de que os Estados Unidos é deficitário com o país, mentiu. Porque os Estados Unidos é superavitário na relação comercial com o Brasil.

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Repórter: A motivação política desse ataque americano é explícita. Trump critica o julgamento de Jair Bolsonaro e ações no Supremo sobre as plataformas de redes sociais. Mas os ataques de Donald Trump começaram durante o encontro dos Brics e depois declarações suas em tom crítico aos Estados Unidos durante o evento. Que papel o senhor atribui a suas declarações nas motivações do presidente americano?

Lula: Nenhuma. Veja, primeiro os Brics é um fórum que ocupa hoje metade da população mundial e quase 30% do PIB mundial. E dentro do Brics está países que participam do G20. Dez países dos Brics participa do G20, aonde o seu Trump participa. Segunda coisa: nós temos três países que foram convidados do G7 agora. Quatro países: Brasil, México, África do Sul e Índia. Quarta coisa o Brics é um agrupamento de países que trabalha em prol do sul global. Nós cansamos de ser subordinado ao norte. Nós queremos ter independência nas nossas políticas, queremos fazer comércio mais livre. E as coisas estão acontecendo de forma maravilhosa. As coisas vão continuar melhorando, e nós estamos discutindo inclusive a possibilidade de ter uma moeda própria, ou quem sabe com as moedas de cada país a gente fazer comércio sem precisar usar o dólar. Porque nós não temos a máquina de rodar dólar, só os Estados Unidos que têm. Nós não precisamos disso para fazer comércio exterior. Agora, achar que os Brics é a razão para o Trump ficou nervoso, o Brasil nunca ficou nervoso com a participação do G7, o Brasil nunca ficou nervoso com as coisas que os Estados Unidos faz. Cada país tem a soberania de fazer aquilo que quer. Então, eu penso que o presidente Trump precisa se cercar de pessoas que o informem corretamente sobre como é virtuosa a relação Brasil-Estados Unidos.

Repórter: O senhor criticou Donald Trump por ingerência em questões que firam a independência das instituições brasileiras. Mas o senhor recebeu críticas por visitar a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, condenada por corrupção, e por defender com um cartaz a liberdade dela. Como o senhor responde essas acusações de ter interferido nas questões internas de um país soberano, a Argentina?

Lula: Com muita firmeza. Eu fui visitar a presidenta Cristina com autorização da Justiça argentina. Eu só fui lá porque a Justiça argentina decidiu que eu fosse visitar, atendendo um pedido da própria Cristina. Eu fui fazer uma visita humanitária, eu nunca me preocupei com que o Trump recebesse o Bolsonaro ou qualquer pessoa. É direito de cada presidente fazer o que quiser. O que não é direito é um presidente querer dar palpite na decisão de Justiça de um país. Aqui no Brasil, a nossa Justiça tem autonomia. O Poder Judiciário é um poder autônomo, como é o Legislativo. Aqui a gente obedece regras. O que o presidente Trump tem que saber é que se aqui no Brasil ele tivesse feito o que ele fez nos Estados Unidos com as eleições, ele também estaria sendo processado, estaria sendo julgado. E, se fosse culpado, ele seria preso. É assim que funciona a lei para todo mundo. Ou seja, nós precisamos aprender a respeitar. Você nunca viu me meter em uma decisão de Justiça americana. Nunca viu. E o que eu espero é reciprocidade, que ele também não se meta nos problemas brasileiros.

Repórter: Esse ataque americano às exportações brasileiras levantou preocupações enormes nas empresas exportadoras. Que papel o senhor espera que esses setores empresariais desempenhem na formulação de uma resposta do governo aos Estados Unidos?

Lula: Essa é importante a gente deixar claro para opinião pública que não é uma taxação ao Brasil. Ele vem taxando todos os países do mundo desde que tomou posse. É um direito dele, mas é um direito dos países reagir. Olha, o que é que eu pretendo fazer? Veja, primeiro eu pretendo reunir todos os empresários que têm exportação para os Estados Unidos, sobretudo aqueles que têm maior volume de exportação - suco de laranja, aço, a Embraer, que exporta muito pros Estados Unidos - para conversar para ver qual é a situação deles. Nós vamos tentar fazer todo o processo de negociação que for possível fazer. O Brasil gosta de negociar, o Brasil não gosta de contencioso. E depois que se esgotarem as negociações, o Brasil vai aplicar a Lei da Reciprocidade. E aí os empresários, eu espero, que estejam aliados ao governo brasileiro. Porque se existe algum empresário que acha que o governo brasileiro tem que ceder e fazer tudo que o presidente do outro país quer, sinceramente, esse cidadão não tem nenhum orgulho de ser brasileiro. Essa é a hora de a gente mostrar que o Brasil quer ser respeitado no mundo, que o Brasil é um país que não tem contencioso com nenhum país do mundo e que, portanto, a gente não aceita desaforamento contra o Brasil.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): G1

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Rede Barueri News

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