O Palmeiras afastou o atacante Felipe Teresa, do time sub-20, por uma denúncia de agressão contra a ex-esposa. O caso teria ocorrido em 15 de agosto e foi relatado em vídeo publicado nas redes sociais neste domingo pela mulher, Marcelle Barbosa.
A denúncia foi protocolada, com abertura de boletim de ocorrência, duas semanas após o ocorrido. Ela relata ter sofrido um chute e um soco no rosto durante uma discussão em meio a uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro de van.
– O clube não tolera qualquer forma de violência contra a mulher e aguarda a apuração dos fatos para que possa tomar as demais providências cabíveis.
Felipe Teresa está, portanto, afastado de jogos e treinos no clube. O atacante de 20 anos, procurado no domingo pelo ge, se pronunciou por meio de nota, em que diz deixar o caso a cargo dos advogados.
O que diz Felipe Teresa, através de nota
– Felipe Teresa, por meio desta nota, informa que tem plena ciência dos fatos recentemente divulgados e que já está adotando, por intermédio de seus advogados, todas as medidas jurídicas cabíveis para a adequada apuração dos acontecimentos e o resguardo de seus direitos.
– No que diz respeito à suposta agressão mencionada nas publicações, os fatos serão devidamente discutidos, esclarecidos e provados em juízo, no âmbito próprio e com observância do contraditório e da ampla defesa.
– Felipe esclarece, ainda, que jamais abandonou seu filho, repudiando qualquer afirmação que possa sugerir o contrário.
– Considerando que a situação envolve menor de idade e em respeito à sua intimidade, privacidade e melhor interesse, Felipe Teresa não fará qualquer exposição pública acerca de circunstâncias familiares, tampouco apresentará detalhes que possam, direta ou indiretamente, ampliar a exposição do menor.
– Com o propósito de preservar o menor, abster-se-á de responder publicamente às alegações ou de discutir o mérito dos fatos por meio das redes sociais ou da imprensa.
– A partir deste momento, quaisquer questões relacionadas ao caso serão tratadas exclusivamente por seus advogados, aos quais caberá a adoção das providências jurídicas que se mostrarem necessárias.
O que diz Marcelle em rede social
Marcelle relata que conhece Felipe Teresa desde os 17 anos, que tiveram um relacionamento de três anos e um filho. Diz em seguida que no dia 15 de agosto estava com ele, o assessor, sua esposa e o motorista, fazendo uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro, inicialmente para o aniversário da cunhada do assessor.
– Era para ser um momento em família e virou um terror na minha vida. As coisas começaram a mudar completamente o rumo quando ele falou que gostaria de ir para um baile no Complexo do Alemão com os amigos dele. Falei que não gostaria de ir, nem que gostaria que ele fosse, mas ele insistiu. Não me falou, avisou para o assessor dele e eu descobri na hora que estava na van indo para o Rio de Janeiro.
– Essa hora a gente começou a discutir pelo celular, ficou um clima horrível na van e teve a primeira parada, para ir no banheiro. Pedi para o motorista abrir a porta ou porta malas, peguei uma roupa que ele tinha comprado para ir nesse baile e joguei fora. Tomei uma atitude de cabeça quente, mas eu estava muito irritada porque ele não tinha me avisado que tinha mudado de planos.
– Depois que joguei as coisas dele fora, fui ao banheiro. Nesse momento, o motorista da van avisou a ele que eu tinha jogado as roupas dele fora, e ele começou a ser agressivo comigo.
– Eu voltei para a van, ele já estava me esperando do lado de fora, eu não sabia que tinham avisado para ele sobre as roupas, e ele veio para cima de mim, super agressivo, e pegou meu celular, alegando que o celular era dele porque ele havia comprado e me dado de presente.
– Ele pegou o celular e veio para cima de mim, eu peguei um guarda-chuva e consegui me defender. Nessa hora um funcionário do posto viu, se intrometeu e ele entrou na van. Eu guardei o guarda-chuva, entrei na van e ele me desferiu um chute na hora que entrei.
– Seguimos viagem como se nada tivesse acontecido, no caso dele e das pessoas que trabalham com ele, teve mais uma parada, eu não desci, e uma última na Serra das Araras, e foi nessa parada que tudo aconteceu.
– Paramos na Serra em uma tenda, para eu e outra mulher que estava na van ir no banheiro, eu desci, fui no banheiro com a esposa do assessor dele, voltei e o motorista e o assessor dele haviam descido da van. Só estava ele e meu filho.
– Voltei para a van, discutimos de novo, eu dei um tapa no rosto dele, me exaltei novamente, mas ele se exaltou muito mais porque a reação dele foi me devolver um soco, que quase quebrou meu nariz. Sei que não fui certa nas atitudes que tive, mas nenhuma mulher merece passar por isso. Ele desferiu esse soco no meu nariz na frente do meu filho, já tinha me ameaçado antes por celular.
– Entrei em desespero porque achei que tinha quebrado meu nariz, minha reação foi só sair da van e tentar estancar o sangue. A mulher do assessor dele me ajudou, perguntou o que tinha acontecido. Minha boca inchou, ficou roxa, machucou por dentro. Me limpei, pedi para sentar no banco da frente e todo mundo seguiu viagem.
Marcelle relata em seguida que Felipe Teresa devolveu o celular dela antes de uma última parada desta viagem, que ela entrou em contato com a mãe e pediu para ser deixada em uma UPA, mas foi deixada em casa no Rio de Janeiro.
– Nesse dia eu cheguei a ir na delegacia, mas não tive coragem de denunciar, porque tinha medo das consequências, do que ia acontecer comigo, com meu filho. Só tive coragem 15 dias depois.
– Durante esse tempo, não tive qualquer apoio dele, ele me mandou dinheiro para custear uma parte das coisas do meu filho. A única coisa que recebi da assessoria dele foi um contrato no qual estavam tentando me coagir a assinar, e nesse contrato eu abria mão da minha união estável que tive com ele durante três anos e quando avisei que não assinaria fui coagida e humilhada.
Veja abaixo a manifestação de Marcelle em uma rede social
No dia 15 de agosto, vivi uma situação de violência que jamais imaginei precisar enfrentar, ainda mais na presença do meu filho.
Hoje decidi falar porque o silêncio também pesa. Porque nenhuma mulher deveria sentir vergonha ou medo de contar que foi vítima de violência.
Não estou aqui para criar uma guerra, destruir ninguém ou transformar minha dor em espetáculo. Estou aqui para relatar o que aconteceu comigo e buscar justiça pelos meios legais.
Existem provas, registros e pessoas que presenciaram parte dos acontecimentos. As medidas cabíveis já estão sendo tomadas. Eu não escolhi passar por isso. Mas escolho, a partir de agora, não me calar.
Por mim. Pelo meu filho. E por todas as mulheres que algum dia acharam que precisavam suportar a violência em silêncio.
Fonte/Créditos: Globo Esporte
Créditos (Imagem de capa): Globo Esporte
Comentários: