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Por que uma vacina aprovada tem registro de eventos raros e como isso impacta a segurança? Especialistas explicam a suspensão da Butantan-DV

Vacina foi aprovada após testes com mais de 16 mil voluntários e não registrou eventos graves nos estudos. Especialistas explicam por que reações raras só aparecem quando milhões de doses começam a ser aplicadas e que vigilância no país reforça a segurança da imunização.

Por que uma vacina aprovada tem registro de eventos raros e como isso impacta a segurança? Especialistas explicam a suspensão da Butantan-DV
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O Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de 42 casos de reações adversas severas e duas mortes entre as 500 mil pessoas vacinadas desde janeiro.

A relação entre as mortes e os casos graves e o imunizante ainda não está confirmada. Mesmo assim, o Ministério decidiu interromper a imunização sem data de retorno prevista.

A decisão levanta uma série de questões: a vacina foi testada o suficiente? O que esses casos revelam sobre o processo que levou à sua aprovação? E o que deve fazer quem já foi vacinado?

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A vacina do Butantan chegou ao mercado com um histórico robusto. Foram mais de 16 mil voluntários acompanhados ao longo de cinco anos, com eficácia geral de até 80,5% de proteção contra dengue grave (quadro que leva à internação ou ao óbito). Ao longo do estudo, não foram registrados efeitos adversos graves ou mortes ligadas ao imunizante.

O que especialistas ouvidos pelo g1 explicam é que nenhum estudo clínico, por mais amplo que seja, consegue antecipar tudo.

Efeitos adversos raros dificilmente aparecem nas fases 1, 2 ou 3 de um estudo clínico porque não há participantes em número suficiente para torná-los visíveis. O número de casos graves entre as mais de 500 mil pessoas imunizadas representa 0,008% do total.

Por isso existe o processo de farmacovigilância, que também é parte do protocolo regulatório. Após a aprovação de uma nova vacina, a imunização começa de forma gradual, justamente para facilitar o acompanhamento de possíveis eventos adversos — com restrições e público-alvo sendo reavaliados conforme novos dados surgem.

 

Isso já aconteceu antes, com alertas e até suspensões para grupos específicos com as vacinas da Covid-19.

O que o estudo mostrou antes da aprovação?

 

A Butantan-DV passou por todas as fases obrigatórias de estudos clínicos antes de chegar ao SUS — avaliação de segurança, resposta imunológica e eficácia em voluntários. O estudo de fase 3, publicado na revista científica "Nature Medicine", acompanhou mais de 16 mil participantes de 2 a 59 anos por cinco anos.

A eficácia geral contra a dengue sintomática confirmada por exame foi de 65%. Contra casos graves ou com sinais de alarme, a proteção chegou a 80,5%.

🔴 Durante todo o estudo, não foram registradas mortes relacionadas à vacina. Ao todo, foram registradas 42 mortes entre as pessoas que receberam o imunizante, mas nenhum dos casos foi relacionado à vacina. Foram mortes causadas, em geral, por Covid-19.

Mais da metade dos participantes da pesquisa que receberam o imunizante — 58,6% — relatou alguma reação. O sintoma mais comum foi dor de cabeça, mas todos os casos foram de intensidade leve a moderada. Ou seja, não havia uma reação grave entre as pessoas que foram observadas, ainda que por um longo período.

Com base nesse conjunto de estudos, a Anvisa aprovou a vacina em novembro de 2025. A campanha começou em janeiro de 2026, com as primeiras 417 mil doses aplicadas em profissionais de saúde. E foi nessa escala que os primeiros sinais de alerta apareceram.

E o que não foi visto na pesquisa e que apareceu agora?

 

Desde o começo da campanha até agora, 500 mil pessoas foram imunizadas. Nesse volume de pessoas, problemas que até então não tinham aparecido, começaram a ser registrados.

Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que esses números precisam ser lidos com cuidado. Isso não é para minimizar o que aconteceu, mas para entender o que os números significam.

De acordo com o levantamento do Ministério da Saúde, foram registrados:

 

  • 3,7 mil pessoas com sintomas leves, semelhantes à dengue, mas que não estavam descritos em bula. Esse volume representa 0,7% do total de pessoas que receberam a vacina.
  • 42 pessoas com reações consideradas um sinal de alarme, entre eles duas mortes. Os registros correspondem a 0,008% do total de vacinados.

 

➡️ E você pode se perguntar: por que nada disso foi visto antes? O médico infectologista Leonardo Weissmann explica que isso pode acontecer porque os estudos clínicos são abrangentes, mas tem limitações.

Quando a vacina passa a ser aplicada em larga escala, pessoas com condições de saúde muito específicas podem apresentar reações que não apareceram nos estudos clínicos.

Isso tudo é acompanhado em um rigoroso processo de farmacovigilância que não só identifica os casos, como vai debater com um comitê que envolve vários especialistas para entender os próximos passos.

Fonte/Créditos: G1

Créditos (Imagem de capa): G1

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Rede Barueri News

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