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Da presença à liderança feminina: avanços e desafios da área tecnológica

Dia Internacional das Mulheres na Engenharia convida a refletir sobre transformações da participação e futuro da carreira

Da presença à liderança feminina: avanços e desafios da área tecnológica
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Nos últimos anos, cada vez mais mulheres têm participado da construção do futuro, ocupando espaços de liderança e expandindo os horizontes de uma profissão que se fortalece quando incorpora diferentes olhares e experiências. Nas salas de reunião, nos ambientes de trabalho e nos espaços de decisão, a presença feminina escreve novos capítulos da Engenharia, ampliando referências, abrindo caminhos e inspirando novas gerações a enxergar na área tecnológica um lugar de pertencimento, inovação e transformação.

No Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, celebrado em 23 de junho, profissionais que atuam na área tecnológica refletem sobre os avanços conquistados, os desafios que ainda persistem e o papel das novas gerações na construção de uma Engenharia mais representativa e conectada às necessidades da sociedade. No Crea-SP, o Programa Mulher tem promovido ações de capacitação e desenvolvimento profissional, criando oportunidades para que mais profissionais compartilhem experiências, fortaleçam e ocupem posições estratégicas.

O compromisso com esse avanço foi reconhecido neste ano com a conquista do Selo Ouro de Certificação em Boas Práticas no Combate à Violência Contra as Mulheres (PR 1019), concedido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em parceria com o Instituto Nós Por Elas, que reconhece a adoção de práticas voltadas ao combate a violência de gênero. O reconhecimento reforça uma mudança que vai além dos números e se reflete na construção de ambientes mais inclusivos, diversos e representativos.

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A engenheira civil Adriana Cintra, presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Atibaia e Região (AEAAAR) e coordenadora adjunta do Programa Mulher do Crea-SP, vivenciou essa transformação de forma simbólica. Em quatro décadas de história da entidade, ela foi a primeira mulher a assumir a Presidência. “Tenho visto, sentido e vivido essas transformações. As mulheres estão cada vez mais presentes em eventos e espaços de decisão, mas ainda há muito a ser conquistado”, afirma.

A trajetória de Adriana reflete um movimento percebido em diferentes instâncias. Para a engenheira civil Nauany Xavier, coordenadora do Comitê de Diversidade do Conselho, a presença de referências femininas têm desempenhado um papel importante nesse processo. “Hoje há mais visibilidade e mais oportunidades para que outras mulheres possam se enxergar na Engenharia”, destaca.

Segundo a engenheira cívil Priscila Bezerra, coordenadora do Comitê Gestor do Programa Mulher do Crea-SP, temas relacionados à equidade, ao respeito e à inclusão passaram a ganhar espaço nas discussões promovidas por empresas, entidades e instituições, contribuindo para ambientes mais abertos à pluralidade de perspectivas. “Quando iniciei minha carreira, era muito comum encontrar reuniões, obras e eventos técnicos com a presença feminina bastante reduzida. Atualmente, vemos mais mulheres ingressando na área tecnológica e conquistando reconhecimento por sua competência técnica e capacidade de gestão”, ressalta.

Para a engenheira ambiental Marcellie Dessimoni Giratola, diretora de Valorização Profissional do Crea-SP, ampliar a participação feminina em posições estratégicas fortalece não apenas a representatividade, mas a própria capacidade das instituições de responder aos desafios contemporâneos. “As mulheres trazem diferentes visões, experiências e formas de liderança, que enriquecem os processos de tomada de decisão e contribuem para soluções mais inovadoras, inclusivas e eficazes”, afirma.

O cenário mostra sinais importantes de evolução. Dados do mini-censo do Confea revelam que a participação feminina na Engenharia vem crescendo em ritmo superior ao masculino. Enquanto 24% dos homens se registraram no Sistema nos últimos cinco anos, entre as mulheres esse percentual chega a 36%. Atualmente, mais de 55 mil mulheres possuem registro ativo no Crea-SP, representando 22,5% dos profissionais registrados no Estado. “Quanto mais referências tivermos ocupando espaços de destaque, mais conseguiremos inspirar novas gerações”, observa Priscila.

Marcellie reforça que o progresso da representatividade passa pela criação de oportunidades e pela superação de barreiras que, muitas vezes, ainda limitam o crescimento profissional das mulheres. “É necessário ampliar políticas de incentivo à participação das mulheres, promover ambientes profissionais mais inclusivos e combater preconceitos, ainda que sutis, que possam dificultar seu crescimento profissional”, ressalta.

E se o presente revela uma Engenharia em movimento, o futuro é visto com entusiasmo e confiança. A expectativa é de uma profissão cada vez mais diversa, colaborativa e alinhada às necessidades da sociedade. “Vejo as mulheres como protagonistas dessa transformação”, afirma Priscila. “A Engenharia do futuro será cada vez mais conectada à inovação, à sustentabilidade, à tecnologia e à colaboração multidisciplinar”, completa.

Nauany compartilha da mesma visão e acredita que muitas das mudanças promovidas atualmente serão percebidas de forma ainda mais intensa pelas próximas gerações. “Estamos abrindo caminhos, ampliando oportunidades e construindo uma Engenharia mais diversa, representativa e acessível. Talvez não sejamos nós que colheremos tudo o que estamos plantando hoje, mas as próximas gerações certamente colherão”.

A expectativa é compartilhada pela engenheira agrônoma Francisca de Queiroz, a Nina, inspetora do Crea-SP pela capital e vice-presidente Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP). Ela enxerga uma presença feminina cada vez mais forte na construção das soluções que moldarão a profissão. “As mulheres na Engenharia já avançaram muito, estão em papéis importantes e consolidaram o seu valor e sua qualificação. Tenho certeza de que mais meninas desenvolverão projetos, tecnologias e soluções para o futuro da Engenharia. O nosso papel será de protagonismo”, aponta.

Ao longo dos últimos anos, cada mulher que assumiu uma liderança, coordenou uma equipe, abriu caminhos para outras profissionais e ajudou a desenhar esse futuro. Nesse caminho, iniciativas como o Programa Mulher ajudam a garantir que a equidade de gênero continue avançando. Afinal, a Engenharia, Agronomia e Geociências são as profissões que projetam o amanhã. Um projeto coletivo que continua em construção e que ganha novas formas à medida que mais vozes, experiências e perspectivas passam a fazer parte dele.

Fonte/Créditos: CREA SP

Créditos (Imagem de capa): CREA SP

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Rede Barueri News

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