O Conselho Deliberativo do São Paulo cancelou a reunião que votaria a suspensão de Olten Ayres do cargo de presidente do órgão, que seria realizada nesta terça-feira, na sede social do clube. A decisão ocorreu após conselheiros protocolarem um pedido de “suscitação de dúvida estatutária e regimental”, questionando a interpretação adotada para a convocação.
A Reunião Extraordinária será submetida à análise jurídica, ainda sem data para remarcação. O principal questionamento dos conselheiros é que a convocação foi baseada no artigo 36 do estatuto do clube, que trata do afastamento preventivo do quadro associativo.
No entanto, a reunião extraordinária votaria um parecer da Comissão de Ética que recomendou o afastamento de Olten da presidência do Conselho Deliberativo, e não do quadro associativo do clube. Por isso, o pedido sustenta que o procedimento disciplinar deveria seguir o rito previsto no artigo 112, que estabelece outra estrutura de votação.
– A definição equivocada do rito estatutário afeta diretamente a legitimidade da convocação e compromete a própria segurança jurídica da deliberação que eventualmente venha a ser produzida. Além disso, o edital não delimita adequadamente qual matéria será efetivamente submetida à votação do Conselho Deliberativo, limitando-se a mencionar genericamente a aprovação ou rejeição do “parecer da Comissão de Ética” – diz trecho do documento.
Com o risco de realizar uma votação que poderia ser questionada posteriormente, o Conselho Deliberativo, por meio do vice-presidente João Farias, emitiu um ofício cancelando o evento.
Dependendo do parecer jurídico, o Conselho poderá marcar a reunião com um novo enquadramento estatutário, manter o entendimento original adotado pela convocação ou até rever parte da medida cautelar sugerida pela Comissão de Ética.
No dia 23 de abril, o presidente do clube, Harry Massis, protocolou um pedido de expulsão de Olten Ayres do quadro associativo por suposta gestão temerária à frente do Conselho Deliberativo.
O principal argumento utilizado foi a instauração de uma Comissão de Reforma Estatutária que, entre outros temas, debateria alternativas para o São Paulo se transformar em SAF. Massis sustenta que a medida violou o estatuto por tratar de um tema semelhante a outro já rejeitado anteriormente, além de questionar o fato de a decisão ter sido tomada mesmo após análise da Comissão Legislativa.
Dias depois, a Comissão de Ética acolheu parcialmente o pedido e recomendou o afastamento preventivo de Olten Ayres da presidência do Conselho Deliberativo, mas sem indicar sua expulsão do quadro associativo.
Nos bastidores do clube, Olten é visto como um antigo aliado de Julio Casares. Publicamente, porém, o presidente do Conselho Deliberativo nega qualquer favorecimento ao ex-dirigente ou proximidade com ele no cotidiano do clube.
Em paralelo à disputa política, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar uma possível falsidade ideológica envolvendo Olten Ayres. A investigação busca esclarecer se um documento datado de 17 de dezembro de 2025, assinado pelos conselheiros José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Granda, teria sido entregue já pronto pelo próprio Olten apenas para coleta das assinaturas.
Em contato com a reportagem do ge, a defesa de Olten Ayres rechaçou as denúncias e afirmou estar à disposição para esclarecimentos aos órgãos competentes.
Fonte/Créditos: Globo Esporte
Créditos (Imagem de capa): Globo Esporte
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