O técnico Fernando Diniz não saiu satisfeito do Barradão. Depois do empate sem gols com o Vitória na noite desse sábado, o comandante do Corinthians reconheceu que foi o pior jogo da equipe sob seu comando e admitiu preocupação com o fato de a equipe ter entrado na zona do rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
— Sem dúvida nenhuma foi a pior partida desde que eu assumi o time, mas tinha uma certa previsibilidade pelo número de jogos sequenciais, o tipo de gramado e o momento que o Vitória vive jogando em casa. A gente, no segundo tempo, começou a ter um pouco do jogo que eu gostaria que fizéssemos o tempo todo, nos últimos 20 minutos, com as trocas.
— Tecnicamente fomos abaixo e, ao mesmo tempo, defensivamente, fomos muito bem. Temos que melhorar o repertório ofensivo do time em todas as partidas, inclusive essas, como contra o Vitória. Vamos pegar outros campos parecidos durante o campeonato, na Libertadores também fora de casa, e nós temos de produzir mais — avisou Diniz em coletiva de imprensa.
A preocupação ofensiva se dá pelo fato de o Corinthians não ter acertado uma única finalização na direção do gol durante os 90 minutos do duelo no Barradão. O jogo, inclusive, teve apenas um chute no alvo, acertado pelo Rubro-Negro aos 42 minutos do segundo tempo.
Com o empate desta noite, o Timão não sabe o que é vencer no Campeonato Brasileiro, desde o dia 19 de fevereiro, quando passou por cima do Athletico-PR, em Curitiba, em confronto válido pela 2ª rodada da competição.
Os maus resultados em sequência combinados com o triunfo do Cruzeiro na noite deste sábado empurraram o Corinthians para a 17ª colocação, dentro da zona do rebaixamento. Até aqui, são apenas 12 pontos em 12 rodadas e o modesto aproveitamento de 33%.
— É uma preocupação que eu tenho e que todo mundo tem que ter, de tirar o Corinthians rápido, não só da zona de rebaixamento, mas andar para cima na tabela. Eu não posso falar daquilo que aconteceu lá atrás. Tivemos um jogo atípico contra o Palmeiras, em que a gente jogou a maior parte um jogador a menos e uma boa parte com dois a menos. Foi um resultado que, pelas circunstâncias, ok em casa. É difícil jogar aqui, pela sequência de jogos que temos tido, optei por mexer menos por time, para deixar mais conjunto.
— Um jogo diferente, gramado é alto, seco, não favorece muito o jogo de construção mais rápido. No primeiro tempo fomos muito pouco agressivos, conseguiu se defender bem, mas teve muito pouca circulação, e o segundo tempo, com as trocas, o time melhorou, ganhou um pouco mais de vitalidade, com drible também. A gente poderia ter feito o gol, mas o resultado da partida reflete o que aconteceu no jogo — finalizou Diniz, não muito contente com a situação do Timão na tabela.
Na sequência da temporada, o Corinthians encara o Barra, em Santa Catarina, pelo jogo de ida do confronto da quinta fase da Copa do Brasil. Esta será a estreia da equipe paulista, atual campeã do torneio na edição deste ano.
O duelo será disputado na próxima terça-feira, às 21h30 (horário de Brasília), no estádio da Ressacada, em Florianópolis.
Confira outros trechos da entrevista coletiva de Fernando Diniz:
Pretende manter a repetição da escalação?
— O jogador não é só músculo e osso, mas também é músculo e osso e outras coisas. A gente vai avaliando junto com o departamento de fisiologia do clube e conversando com os jogadores para ver a melhor estratégia para colocar os jogadores em campo. Esperar passar hoje. É uma sequência muito dura. Principalmente esses últimos jogos, a gente jogou com menos de 72h de recuperação, com viagem, com outros tipos de clima e outros tipo de campo. É algo que vamos pensar amanhã e depois de amanhã para escolher o melhor time para jogar contra o Barra e pensar na sequência da temporada, que logo depois tem o Vasco em casa.
Sobre pouco tempo para treinar em contraste com a necessidade de vitórias
— A gente tem treinado nos próprios jogos. Uma das coisas de não trocar muito o time neste primeiro momento é que as informações táticas, de correções, se você começa a trocar muito, começa a perder algumas coisas. Você ganha algumas coisas, como hoje, vitalidade. Tem jogador que jogou os quatro jogos e conseguiu performar bem hoje. Casos de Gabriel Paulista e Matheus Bidu. Não tiveram nenhum problema. Jogaram o jogo com certa naturalidade.
—Tem jogadores que sentiram um pouco mais. É uma engenharia que tem que levar todos os componentes em consideração para ir escalando. Eu sou um cara que gosto de repetir time. Não é que eu goste de repetir que eu vou repetir sempre, eu vou avaliar. Quando a gente junta todas os fatores, para colocar o melhor time para poder ter uma melhor chance de ganhar.
Sobre o posicionamento mais ofensivo de André Carrillo
— Hoje foi circunstancial, mas ele já entrou contra o Palmeiras de lateral-direito, quando Matheuzinho foi expulso. Ele é um jogador, talvez o jogador mais polivalente do time, já jogou de lateral em outros tempos na carreira dele. É um jogador que passa muita confiança, tem muito domínio das posições no campo. Ele treinou de lateral. Não foi uma improvisação. Era uma das possibilidades. O Pedro estava um tempo sem jogar. A gente treinou um pouco. Sabia que ele teria dificuldade para aguentar o jogo todo. Pode ser uma possibilidade.
— O melhor momento do time, inclusive, foi quando ele foi para a lateral. Uma das coisas. E com a entrada dos outros, Kaio César entrou com muito vigor físico, Jesse também entrou bem. Dupla de volantes também. Quando trocou, os jogadores estavam muito desgastados. Deu uma sentida um pouco no volume de partidas que estamos tendo em sequência.
Sobre atuação e posicionamento de Breno Bidon
— Em relação ao Bidon, é um camisa 8, 8,5 assim. Ele também sabe de jogar de 10, jogar aberto, como jogou, mas entrando. Posição que jogou mais comigo. Já jogou até de 5. Uma vez que joguei contra o Corinthians
era o Antonio Oliveira, jogou de 5, se não me engano. É um jogador que sabe fazer a função. Ele não jogou fora da posição. Talvez a posição de 8 é a que mais atuou no profissional e base.
Análise da partida e postura combativa do Vitória
— Tem mérito do Vitória, tem uma proposta de a gente saber aguardar. Era para termos pressionado mais o Vitória no primeiro tempo. Quando você começa a mexer no time, não faz nem duas semanas que cheguei ao clube, você começa a mexer nos gatilhos de pressão, já não fica tão sincronizados. No segundo tempo, a gente ajustou um pouco isso, começou a pressionar mais rápido e começou a ter mais a bola. Mas pressionar de qualquer jeito, você acaba ficando exposto.
Fonte/Créditos: Globo Esporte
Créditos (Imagem de capa): Globo Esporte
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